Com menta naquele lugar. É bom.

sábado, 20 de junho de 2009

Vermelho cor de sangue - Parte 4

No vaso uma mistura de queijo semi-digerido e vinho e o cheiro de vômito que impestiava toda a casa. Bebera vinho chileno com queijo até as três da manhã na espera de Constanza.
Acordou, amarrou uma camisa tapando o nariz e foi pintar. Tela branca, começou a fazer listras pretas verticalmente sem qualquer sentido. Algumas mais pra esquerda, outras mais pra direita. De saco cheio de fazer aquilo, pegou uma pequena lata de tinta azul que estava no final e derramou sobre a tela e mandou aquilo tudo tomar no cu. Não gostava quando as coisas fugiam do controle. Era cético demais e pela primeira vez em muitos anos se sentiu sem controle sobre seus desejos, pois sempre que deseja algo, saciava aquilo o mais rápido possível e do jeito que queria, porém da noite que passou tomou seu primeiro tapa na cara. Decidiu limpar a casa.
Lavou o banheiro, separou as roupas sujas para a lavanderia e arrumou a cama. Passou uma vassoura na casa, limpou a cozinha inglesa. Trocou o jornal que forrava o chão da sala, onde pintava, jogou fora dezenas de latas vazias, pincéis, entre outras coisas velhas que auxiliava seu trabalho. Tirou a poeira da poltrona, abriu a janela, deu uma olhada 360 graus pela casa arrumada e se jogou na poltrona. Se não tinha bons quadros pintados, pelo menos a casa tinha que estar a seu querer. Cochilou.
Sonhou que tivesse caído de um barco direto no alto-mar. Havia uma boia com sino alguns metros dele, a boia que salvaria sua vida, mas não conseguia alcançá-la. Estava tudo muito escuro, e por isso não conseguia ver a bóia. Nadava em direção do som de seu sino, mas nunca conseguia chegar na bóia. Acordou ofegante e desesperado. A campanhia estava tocando, logo levantou-se rápido, receoso que a pessoa estivesse alí por muito tempo. Abriu a porta e deparou-se com um sorriso e um cheiro gostoso de bolo de fubá.
- Que cara é essa? - Brinca Constanza dando um peteleco em um pedaço de poeira que estava no ombro esquerdo de Carlos.
- Estava arrum...
- Faxina! - Interrompe o sonolento, e continua:
- Dúvido que tenha feito direito. Homens não sabem fazer essas coisas... Não vai me convidar pra entrar?
- Sim, claro! - Responde dando passagem para a jovem tagarela que entra num rebolado debochado como uma doce meretriz dos anos 50, deixando uma mistura de seu perfume de flores do campo com o cheiro do bolo.
- Até que me parece arrumada... Você é pintor? - Debochada por completa, novamente o provoca colocando o bolo sobre a divisória de tijolinhos da cozinha inglesa de Carlos.
- É... Sou artista plástico. E você, o que faz?
- Sou artista também. - Responde olhando delinearmente pela sala olhando os quadros.
- De qual manicômio?
- Como? - Pergunta levantando uma das sobrancelhas.
- Que tipo de arte você produz?
- Eu canto... - Voltando para os quadros, e continua antes que Carlos continuasse: - No chuveiro.
Novamente irônica, Carlos percebeu que além de provocativa, Conztanza gostava de falar. Era agitada, mas contida. Riu de sua piada com um sorriso de lado, mas no fundo achava muita graça de tudo aquilo.
- Deve cantar bem, tem uma voz bonita. - Jogou também uma letra, só para ver no que daria.
- Você se considera um bom pintor?
- Estou quase lá...
- Então eu canto bem. - Novamente alfinetou.
Carlos não gostou da piada, mas não queria perdê-la do alcance. Mudou a prosa:
- Ta cheirando bem esse bolo, de que é?
- Bolo comum. Fubá... é bom com café! Trouxe para você como boas vindas.
- Ah, muito obrigado, aliás, como sabe onde moro?
- Aqui todo mundo se conhece de vista... Perguntei na padaria e me disseram.
- Hum...
- Coma o bolo e depois me diga o que achou. Já estou de saída! - Se despede de forma fria indo em direção à porta quando Carlos interrompe:
- Calma! deixa que eu abro a porta, senão você não volta!
- Ah obrigada! - Arrancando um sorriso de Constanza.
- Eu que agradeço Constanza! Jovem Cons.
Ela sorri e sai. Carlos fecha a porta e sorri. Injeção de ânimo, de brinde sua janta em cima da mesa, depois de um dia sufocante.
Vai a cozinha preparar o café, seguindo o conselho de Cons.

Vermelho cor de sangue - Parte 3

Quando já colocava a chave na porta, olhou para o lado, lembrou passar na padaria, então abriu a porta, subiu as escadas até o segundo andar, abriu a porta suspirando forte, deixou as coisas que havia comprado e desceu.
Comprou queijo, pão, pasta de atum e um bom vinho chileno. Mercearia do seu João, um velho português bigodudo que resmungava e olhava a bunda das jovens meninas do colégio estadual que passavam por alí.
- Deu 53 reais meu filho. - Disse o português com seu sotaque lusitano.
- Aceita cartão? - responde Carlos com uma pergunta, dando tapinhas nos bolsos como se procurasse dinheiro.
- Aqui essas tecnologias ainda não chegaram, meu jovem, ainda bem! Ainda bem!
- Bom, só tenho cinquenta aqui comigo, posso pagar a diferença depois? Aliás, por que "ainda bem"?
- Tecnologia só vem pra complicar as coisas, não é Dona? - Pergunta para a moça que está atrás de Carlos, e continua: - Antigamente não tinha essas coisas de efeito estufa, furacões, ondas gigantes, aquecimento, que a tecnologia trouxe! Antigamente era simples e mais bonito de se viver. - Conclui o velho.
Antes que Carlos respondesse, a menina que estava atrás interfere: -toma aqui Seu João. Dando cinco reais para o velho portugês.
Carlos olha para trás e se depara com a jovem guria que tanto procurava, e três segundos depois que admirava aqueles lábios que tirava seu sono, responde: - Não, não precisa... - E interrompendo a rejeição dele, ela insiste: - Depois a gente se acerta.
- Se for assim, tudo bem. Muito obrigado.
- De nada. - Responde a jovem guria virando para suas compras e deixando Carlos perdido, sem saber onde olhar.
- Primeiro seu João que quem começou esse negócio de efeito estufa foi os seus avós, segundo que fucarão e onda gigante sempre teve, e se hoje em dia você tem conhecimento instantâneo sobre isso é graças a tecnologia, terceiro que a vida é bela! - Conclui Carlos pegando as bolsas de plástico no canto do caixa.
- Tens razão. - Responde Seu João não dando muita bola para Carlos e passando a farinha de trigo da guria pelo caixa.
Carlos sai da padaria bem devagar, alucinado.
- Qual seu nome? - Novamente a voz doce em sua costas.
- Carlos! - Responde sem saber quem pergunta, mas confiante de quem poderia ser.
- Prazer, Constanza!
- Nome diferente, italiano?
- Na verdade eu não sei meus pais nunca me disseram. - Responde a jovem guria em tom jovial.
- Como posso retribuir jovem Cons-tan-za? - Pergunta Carlos brincando com o seu nome.
- Esquece isso, se um dia eu precisar, eu te procuro.
- Enfim, tudo bem, comprei um vinho, se não tiver o que fazer hoje a noite...
-Pode deixar,eu apareço!

domingo, 24 de maio de 2009

Vermelho cor de sangue - Parte 2

Correu até a porta, parou e pensou. Só de calça, descalço, descabelado e sem camisa. Era assim que pensava em ir até a rua forjar seu encontro casual com a jovem guria. Por cinco segundos desistiu, mas o desejo já subia sua cabeça, e correu até o quarto peg a camisa que vestira ontem. Calçou um chinelo e pegou algumas moedas e a chave. Desceu.
Correr era pouco, logo pulava os degraus da pequena escada que o levava ao estreito portão e assim caiu eufórico na rua. Ela havia sumido em alguma esquina. Uma escolha errada e seria em vão toda a correria. No cruzamento escolheu a rua da direita. Caminhando rápido, fez a curva decidido e quando já ensaiava o que lhe diria, se deparou com a longa e triste ladeira vazia. À sua frente só portas e garagens. Muros de todas as cores, nenhuma garota. Ninguém.
Voltou para seu ateliê disfarçado de apartamento, ou vice-versa, e fumou um cigarro sentado no vazo. Olhando para o azulejo, pensando no nada, apenas olhando por olhar, pensando na guria. Saiu do banheiro, pegou um pouco de tinha vermelha e azul e jogou sobre uma tela limpa. Com a mão, esfregava toda aquela mistura na tela com uma certa raiva, decepcionado, e num estado fora de si, levou as mãos à cara. Foi ao banheiro, se olhou no espelho e riu. Se sentia um rapaz de 17 anos e achava graça de tudo aquilo. Entrou para o banho e foi atrás de algo para comer na rua.
Dava dez e meia da manhã no relógio redondo que tinha pendurado na cozinha, e Carlos comia um pedaço de pizza gelado que estava em sua geladeira, de três dias atrás. Comia e tentava se lembrar do sonho que tivera. Alguma coisa relacionada a fuga, lugares desconhecidos e visão embaçada. Sensação de medo ao acordar e boca seca, abria os olhos o máximo que podia, para tirar a sensação de estar cego.
Vestiu uma camisa pólo vermelha, pegou o bondinho sobre o sol de 11 horas e foi até o Centro do Rio para comprar mais material para seu ateliê, e aproveitaria, faria o que mais gostava de fazer quando um tanto deprimido, ver pessoas. A sexta-feira lhe dava uma sensação de que algo velho tinha ficado para atrás e, consequentemente, alguma coisa nova ele seria obrigado a conquistar. Sexta-feira em sua cabeça era sinônimo de mudança. Pensava nessa mudança olhando para o Cristo, de braços abertos, com o sol em sua face e sem fazer uma sequer careta. Deus não é careta, pensou. Tomou rumo ao 'amargo lar'.



terça-feira, 5 de maio de 2009

Vermelho cor de sangue - Parte 1

“Entrando naquele quarto( um pouco atordoado), onde as paredes eram sujas de poesia, encontrei a famosa 'branca' esquecida no chão. Cocaína. O abajour dava um tom meio amarelado àquele ambiente, que propiciamente, me conduziu à cama, onde traguei minha 'branquinha'. A cocaína que me refiro, era a vizinha”.


No final de outrubro, Carlos alugou um apartamento no Centro do Rio, para poder se dedicar ao trabalho. Era artista plástico, e pretendia fazer uma exposição dalí a três meses. Pelo fato de não conseguir associar a vida que levava de "socialzinha" na casa dos amigos bem sucedidos, isolou-se em uma rua muito tranquila de Santa Tereza para poder se dedicar ao que mais gostava de fazer, pintar, e como tanto almejava, expor suas obras, para necessariamente não ser mais julgado de "o artista que tinha como ápice de criação seu caixão pintado por si". Em seu novo e temporário lar, foi se familiarizando com a vista que dava para os trilhos do bondinho, que por sinal passava inumeras vezes, o tirando a atenção. Atenção que tirada o tranquilizava da dor de cabeça por não conseguir achar a inspiração para seu último quadro. Aos poucos, a pequena sala foi se enchendo de telas, tintas, pincéis, rasuras e garrafas de vinho. Nada de conseguir pintar o quadro pra fechar o acervo. Uma quarta-feira ensolarada, Carlos acordou um pouco mais cedo por causa de um pesadelo. Com sede, foi à geladeira beber um pouco de água e matar aquela leve ressaca. Acendeu um cigarro, com o copo d'água foi até a varanda ver o bondinho passar. Olhando com dificuldade decorrente do soco que levava do sol em sua vista, dolorosamente avistou uma mulher que caminhava com uma sacola cheia de verduras e frutas, e um jornal de baixo dos braços, olhando para atravessar a rua, também com dificuldades de enxergar por causa da claridade que tinha em seus olhos. Uma rosa no cabelo, pele suave e levemente dourada. O vestido um tanto justo ao corpo, com decote admirável, e o rebolado de uma menina tímida na passarela das ruas cariocas. Carlos não acreditava em amor a primeira vista, muito menos no amor, mas naquele momento, com sua água e cigarro nas mãos, sentiu a maior sede de sua vida. Uma vontade súbita de beber aquela mulher, literalmente beber aquela mulher. Sua sede era até o momento, insaciável.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ele voltou!


Impressionante como o cigarro interfere na vida das pessoas. Primeiramente você dá uma tragada, ainda engolindo fumaça, porque quer impressionar alguém, ter um novo estilo, mostrar aos outros uma coisa que não faz parte de você. Nessa primeira fase você fica conhecido como "o sufocador de cigarros". Em seguida, depois de alguns meses pedindo cigarro para todo mundo, você respira fundo e compra seu primeiro maço. Ao comprar seu primeiro maço, você automaticamente assina sua sentença de morte, e a partir daí são maços e mais maços. No início um maço dura quase uma semana, depois passa a durar 3 dias, e quando percebe, fuma meio maço por dia.
Dez cigarros por dia, é a cota ideal para todo fumante não morrer de câncer, porém o vício começa entrar em ação. Um maço por dia, isso já te preocupa, mas geralmente não damos muita bola para a consciência, e é só prestar atenção e vamos ver que já estamos comprando o segundo maço durante aquele dia. A partir daí é sentar e esperar o pior.

Há alguns dias passei muito mal decorrente do cigarro. No dia seguinte coloquei na minha cabeça que deveria parar. Fiquei exatamente 24 horas sem fumar um único cigarro. Foi o dia mais difícil de minha vida. A abstinência foi bruta comigo. Me bateu, me humilhou, riu de mim, me torturou físicamente e psicológicamente. Um tremendo filho da puta. Dediquei quase um chevete 89 a esse cara, e ele retribui com tortura. Sinais de meus abalos psicológicos estão no Post abaixo, onde, em um estado de loucura, deliro ao falar dos dias da semana. Estava fora de mim.
Porém, a primeira coisa que fiz ao acordar depois do dia de abstinência foi consequentemente comprar um maço de cigarro. Tirei a pedra que fechava sua prisão e o ressucitei. Com certeza me fará muito mal, porém menos mal do que ser torturado por você mesmo. Uma tortura onde o seu limite nunca é o bastante.
Um dia irei parar. Se não for em vida, com certeza na morte, então um conselho que deixo para aqueles que por acaso venham a colocar um cigarro na boca é: Coloque!. Assim não morrerei sozinho, levarei milhões comigo.

sábado, 4 de abril de 2009

Diário avesso


Nada como acordar, tomar um banho, sentar-se à mesa e tomar seu café tranquilo, em paz, com um cigarrinho pra acrescentar nessa harmonia. Pois não foi assim nesse primeiro sábado de abril, no qual o chamarei de sábado1, tal razão para chama-lo assim é pelo fato de ser meu primeiro sábado sem cigarro nesses últimos 3 anos, em que alimentei meu pulmão com bastante fumaça Marlboriana. Assim, daqui por diante os dias da semana em que fico sem cigarro se chamarão respectivamente domingo1, segunda1, terça1, quarta1, quinta1, sexta1, sábado2, domingo2, e daí por diante.
Acredito que serão dias bem difíceis, pois o cigarro é um grande companheiro de anos em minha vida. deixá-lo assim não será muito simples. A partir de agora, este meu grande amigo morreu.

Nesse "sábado1" está indo tudo muito bem. Muita saudade dele. Muitas lembranças. Boas lembranças. Queria ter dito "eu te amo" pela última vez a ele, mas infelizmente não foi assim. Ele me deixou ao cair de minha orelha naquela ladeira, onde desciámos de bicicleta, e num movimento rápido, o vi deitado no chão, no qual logo atrás de mim vinha um carro que passava por cima dele. Foram pequenos segundos agoniantes. Pensei em voltar rápido para pegar, mas já era tarde, e o que restou pra mim, agora é saudade. Sinto uma rápida vontade de chorar. Aquele cigarro, aquele único cigarro representava um novo ciclo para mim, iríamos enfrentar isso juntos, mas agora estou sozinho nessa grande batalha. Seja onde ele estiver, ele está torcendo para mim. Acredito eu.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nota sobre o vegetarianismo

Não é de agora que vemos por aí a luta dos vegetarianos em defesa dos animais. Podemos até citar alguns nomes como Da Vinci, McCartney, Kafka, Tolstoi, Napoleão, Buda, etc, etc, etc. No qual estes em sua época não comiam carne. Porém há muita polêmica no assunto, pois são diversas as questões que envolvem o tema, e são diversos os argumentos. Vale ressaltar que tanto os vegetarianos devem respeitar os "carnívoros" como assim podemos chamar, quantos estes devem respeitar os vegetarianos, pois é uma questão de dieta e princípios.
O que devemos ter em mente é que talvez seja inútil, na sociedade capitalista, a luta dos vegetarianos sobre a "alternativa verde", de não consumir carne não só por uma questão de saúde, que é muito importante, como também pela questão da crueldade em que são abatidos os animais para o consumo, pois todo esse abate cruel e desenfreado é para satisfazer o lucro do dono da indústria da carne, pois é essa indústria a grande culpada nessa história toda, e não o consumidor.
Logo, como frear toda essa matança macabra dos animais enquanto houver um burguês por trás disso? Não há como, é impossível. Nenhum dono de alguma empresa de abate vai se sensibilizar com tal luta, pois o dinheiro, o lucro, falam mais alto, logo tal objetivo dentro da sociedade capitalista é inviável. Ou seja, se tal sistema não for destruído, no caso, o sistema capitalista, a luta é em vão, pois só dentro de uma sociedade socialista, onde tudo que é produzido é para atender a necessidade do povo, pura e simplesmente, e não a do lucro, e que se pode tomar como bandeira de luta a bandeira do vegetarianismo. Em uma sociedade em que nenhuma pessoa no mundo passe fome, onde os meios de produção estejam nas mãos do povo, para este produzir apenas o que seja necessário para a ele mesmo e seu vizinho. Aí sim a luta por um mundo "Vegan" já não seria uma utopia tão distante.
Logo termino dizendo que a liberdade dos animais virá atravez da liberdade do homem, fora isso, ambos estarão presos ao fardo da injustiça.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Real, imaginário e aquilo que mata a fome

Deus existe?

Não existe resposta exata para tal, porém há muita briga por trás disso. Uns temem, outros amam, outros o têm apenas como um pai. Tem também os que o odeiam, e aqueles que apenas acham que não existe.
Se existe ou não o problema é de cada um, a questão é, o que a igreja representa diante dessa dúvida. Jesus seria apenas um revolucionário que lutou contra a repressão romana, ou um santo? Deus criou Adão e Eva? Seria Adão e Eva os primeiros homens nascidos dos macacos? E o Big Bang? Ou não criou coisa alguma, por não existir?
Os fiéis se ajoelham, os cientistas brincam de sê-lo. Alias, não são só os cientistas que gostam de brincar de Deus, pois também os são, os poetas, romancistas, filósofos, dramaturgos, escritores em geral e não podendo esquece-los, os atores. Gostam de criar vidas, pessoas, lugares, coisas, passos...interpretar vidas diferente da vivida. Eu diria que talvez estes queriam(queiram) ter uma vida além da que vivemos, uma vida irreal( ou surreal), uma segunda vida, seja lá trágica ou feliz. Todos gostam de ter uma vida feita de fantasia. Que tenha algo em comum (realidade), mas que o deixa levar os pensamentos muito além das fronteiras da realidade(imaginário).
Seria essa fascinação toda, um ponto de partida para a dupla personalidade? Aquilo que alguns consideram doença, outros falsidade, e outros divindades.

Há 17 anos que me olhava no espelho, e via sempre algo mais que um simples rosto. Via dois. E nesse segundo rosto, não havia personalidade dentro. Era vazio.
Tanto observei, e tanto me questionei, o por que de tanto vazio, que inquieto com o complexo, inventei, com muito esforço, um alguém para aquele "eu", pois aquilo, como um todo, já fazia parte de mim.
Criei um inimigo. Ele me feria com a dor, Eu feria ocultando-o. Eu o usava para atrair, ele me usava para afastar. Travamos uma luta quase sem fim. Por um momento achei realmente que fosse sem fim.
Enfim, essa guerra travada dentro de mim, chegará ao fim, em breve. Tão próximo os dias de paz, que já sinto o cheiro de liberdade.

Mas o que tem a ver, Deus, dupla personalidade e guerra?

Talvez uma dialética. Os homens que queriam brincar de Deus (até então criado pela fantasia de outro homem um pouco mais velho), inventaram mentiras, mundos, verdades, fazendo de si algo que achavam que era maior que tudo, quando na verdade, os pés ainda estavam no chão (ou seja, a dupla personalidade) e fizeram grandes guerras, contra outros deuses para serem o verdadeiros deuses.

Se Deus realmente existe, é fato que qualquer homem da terra, seja lá qual for, é melhor do que Deus. Pois eu queria saber se Deus ja foi violentado, explorado, sofreu por amor, ou foi roubado. Gostaria de saber se Deus sabe o que é fome, e quanto pesa o quilo do tijolo, que é usado pra construir uma casa. Aliás, Deus suou pra criar o mundo?
Obviamente, pelo que diz todas as crenças, Deus tem poderes e criou o mundo com a força do pensamento. Diferente do homem que cria seu mundo com o suor, e o pior, que a grande maioria deles constroem mundos para outros Deuses bem próximos do Grande Deus ( assim podemos chamar aquele que comecei citando no texto), pois tamanha semelhança está na criação. Os deuses daqui constroem as coisas com a força do dinheiro (poder), sem mover um único músculo, parecido com Deus que construiu tudo com a força do pensamento (poder). Porém no mundo tem milhões de homens que realmente controem(concreto) o mundo com a força dos músculos e a do pensamento, e não detêem de nenhum poder, seja lá qual for ele. Esses sim, retifico-me ao que disse antes, acrescentando que além de melhores do que Deus, estes são mais fortes do que Deus (imaginário).



Termino assim questionando, Quem é Deus?

obs: Esse eu já fui... renunciei ao cargo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Café, cigarro e subversão


Desabotouo o botão da calça. A essa hora já não tem ninguém pra causar desrespeito. Caminho em busca de um café, supostamente meu subconsciente quer fumar, e me faz buscar um café pra pescar um cigarro. Já o conheço. Ele joga comigo. Eu deixo.
Queimando os lábios na cafeína, penso como a vida é um tanto escrota. Penso em dinheiro, penso no futuro, me imagino velho, acabado, sem ninguém, nem mesmos as ideologias. Por um momento, sozinho, semi-nu e com o café na mão, sinto medo. Vou buscar um cigarro.
A vida é escrota. Todo mundo sabe disso, porém uns nascem em berço de ouro e vêem a vida como algo escroto para aqueles que vivem na merda, esquecem que levam uma vida de merda. Outros se escondem em algum entorpecente. Vida colorida. Prefiro a vida em preto e branco, pois o sorriso nunca sai amarelo, e além do mais essa coisa de se embriagar sem fazer cara feia é coisa de fraco. Nunca gostei de ficar bêbado sem sentir o amargo da bebida. Engraçado que quanto mais fodidos estamos, mais rimos. A vida se associa muito com a cachaça. No começo fazemos cara feia, e ficamos embriagados. Ao longo do tempo, acostumados já, o amargo já não nos da uma careta, e cada vez mais precisamos tragar o forte álcool em grandes quantidades pra chegarmos na embriaguez. Coisas pequenas não nos surpreende, quando já temos o costume de ficar fodidos.
Nas escolas por exemplo, deveriam ensinar as crianças que a vida é uma ilusão e que é escrota. Não com esses termos. Talvez assim teriamos uma geração melhor. Não de canalhas desiludidos, mas uma geração que não tenha a ilusória ambição de vencer na vida. Vencer na vida é a propaganda de um Mc Donald's. A foto é uma beleza, quando tu compra, vê que não é lá o que esperava.
O cigarro acabou, e o café ficou frio no último gole. Espero que meus medos não virem realidade como tem acontecido. Medo do escuro, medo da solidão, medo de uma guerra nuclear.
Espero que a vida seja melhor para as crianças que crescem com tantas bobagens na cabeça. Mc Donald's, Xuxa só para baixinhos, vencer na vida...Neoliberalismo.
Não se assustem. É só uma prévia daquilo que um dia você vai encontrar, empoeirado, no sebo mais próximo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Hotel Paris


Era um domingo qualquer, tinha acabado de resolver umas coisas pelo centro. Por volta do meio-dia, um pouco sonolento, tomei rumo ao ponto, indo para casa. Acendendo um cigarro, resolvi ir costurando pelas ruas um pouco mais sujas e marginais daquele percusso. O centro absolutamente deserto. Entre suas esquinas, prostitutas velhas, cachorros(velhos), cachaceiros(velhos), turistas(velhos) e moradores de rua(o presente daquelas crianças era velho,fazendo delas velhas), todos alí perambulando por aquele lugar, que como stalingrado segundo Drummond, deus havia esquecido, ou virado o rosto para outro ponto do Rio(talvez de olho nas meninas do Leblon).
O dia era quente,eu suava feito jogador de futebol. Olhando para aquilo tudo como um filme. Os muros grafitados,pixados,desenhados, mijados, os paralelepípedos molhados, os meio-fios quebrados, as portas comerciais fechadas, os orelhões lotados de propaganda sexual, os copos de cerveja entre as pernas das putas. Cheias de papo pro ar. Cheias de poesia, (cheiras do pó e cia.).
Dobrando na esquina que me dava no João Caetano, olhei para o Hotel Paris. Prostíbulo antigo do Rio. Foi quando meus olhos bateram numa varanda do antigo antro e avistei aquela jovem ruiva, de cabelo curto que estendia sua toalha, só de calcinha e uma camisa "baby-look" branca. Dez passos olhando aquela perfeição, naquela direção, naquela perdição. Ela assustada, foi para dentro acoada, olhando cismada aquele jovem rapaz que a observava. Continuei caminhando, perdendo ao longe aquela varanda da visão, e quando eu já quase virava a última esquina, ainda intrigado olhando, ela reaparece na varanda, à estender aquela toalha, como se não tivesse acontecido nada, provavelmente de calcinha(sabe lá, pois do ângulo que eu estava, não dava pra ver suas pernas).
E assim voltei para casa, pensando naquela doce mulher. Como se chamava? Quantos anos teria? Por que se expunha daquele jeito? Onde estaria seu pudor? Como deveria ser o seu perfume? Quanto custaria uma hora em sua companhia? Seria ela uma doce menina, ou uma puta vadia?