Com menta naquele lugar. É bom.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Hotel Paris


Era um domingo qualquer, tinha acabado de resolver umas coisas pelo centro. Por volta do meio-dia, um pouco sonolento, tomei rumo ao ponto, indo para casa. Acendendo um cigarro, resolvi ir costurando pelas ruas um pouco mais sujas e marginais daquele percusso. O centro absolutamente deserto. Entre suas esquinas, prostitutas velhas, cachorros(velhos), cachaceiros(velhos), turistas(velhos) e moradores de rua(o presente daquelas crianças era velho,fazendo delas velhas), todos alí perambulando por aquele lugar, que como stalingrado segundo Drummond, deus havia esquecido, ou virado o rosto para outro ponto do Rio(talvez de olho nas meninas do Leblon).
O dia era quente,eu suava feito jogador de futebol. Olhando para aquilo tudo como um filme. Os muros grafitados,pixados,desenhados, mijados, os paralelepípedos molhados, os meio-fios quebrados, as portas comerciais fechadas, os orelhões lotados de propaganda sexual, os copos de cerveja entre as pernas das putas. Cheias de papo pro ar. Cheias de poesia, (cheiras do pó e cia.).
Dobrando na esquina que me dava no João Caetano, olhei para o Hotel Paris. Prostíbulo antigo do Rio. Foi quando meus olhos bateram numa varanda do antigo antro e avistei aquela jovem ruiva, de cabelo curto que estendia sua toalha, só de calcinha e uma camisa "baby-look" branca. Dez passos olhando aquela perfeição, naquela direção, naquela perdição. Ela assustada, foi para dentro acoada, olhando cismada aquele jovem rapaz que a observava. Continuei caminhando, perdendo ao longe aquela varanda da visão, e quando eu já quase virava a última esquina, ainda intrigado olhando, ela reaparece na varanda, à estender aquela toalha, como se não tivesse acontecido nada, provavelmente de calcinha(sabe lá, pois do ângulo que eu estava, não dava pra ver suas pernas).
E assim voltei para casa, pensando naquela doce mulher. Como se chamava? Quantos anos teria? Por que se expunha daquele jeito? Onde estaria seu pudor? Como deveria ser o seu perfume? Quanto custaria uma hora em sua companhia? Seria ela uma doce menina, ou uma puta vadia?

9 comentários:

Anônimo disse...

Fala Kbça !
quanto tempo hein cara !
Muito boa essa cronica , nao tem jeito cara, tua veia tá entupida de nicotina e literatura de buteco ... cuidado que esse troço pode contaminar , vou te receitar umas injeçoes de Leminsk e umas doses diarias de Coltrane pra ver se melhora mas se não melhorar tú vai sempre ser lembrado como o cara que foi poeta sem se dar conta disso ...

Anônimo disse...

vou recitar um poema do leminski para sintetizar isso que tu falou.

Aqui jaz um grande poeta
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito
São suas obras completas.

Anônimo disse...

Essa história é real? Não né,claro rsrs mas vc escreve bastante bem,é uma escrita leve e descritiva.Parabéns! Blog show^^

Até eu fiquei curiosa pra saber o que era akela menina rsrs

Anônimo disse...

é irreal por tamanha realidade crua.

Gabriel Araujo disse...

nos dois sabemos da verdade

[risada maléfica] aeaueheuaheueaheua


ja tinha lido isso aqui vacilao

quero v tu atualizar porra
alias,

gostei.


vlw!

Gabriel Araujo disse...

caralho mlk

descobri q tenho um blog

auhauaheaheuaeau

tinha esquecido disso mlk

caralho

olha essa porra
http://rabiscu.blogspot.com/

a parada tu ja leu a mó tempao
mas como eu ja li essa porra ai
tu aproveita e le a minha de novo tbm
ehehehe

vlw!

Anônimo disse...

showw *.*

Anônimo disse...

Nunca mais vc att o blog né? To esperando...mas o texto tá ótimo kk (d novo?? q chata rs)

Unknown disse...

adorei esse também.. to adorando todos! parabéns